BLOG NÓS DA COMUNICAÇÃO, May 2015

A arte do agora

 

 

A Copenhagen Ultracontemporary Biennale está programada para acontecer em setembro de 2017 na capital dinamarquesa e irá reunir arte, espaço público e mídia. O objetivo da bienal é introduzir internacionalmente conceitos como 'ultracontemporary', capacidade artística para expressar em sincronia com o tempo e o mais próximo possível do 'agora'; 'emergency art', dever artístico de detectar disfunções na sociedade e agir sobre elas antes que seja tarde demais e 'art format', forma artística criada para se expandir e ser ativada globalmente em diferentes contextos.

De acordo com os curadores Thierry Geoffroy e Tijana Miskovic, o 'contemporâneo' como vemos no mundo da arte hoje, muitas vezes, não acompanha o agora. O intervalo de tempo entre a produção e a distribuição do trabalho de arte acaba tornando as reações imediatas difíceis, se não impossíveis.

"Desde que a palavra 'contemporâneo' passou a ser usada em exposições de obras de arte feitas com muita antecedência - não correspondendo à realidade de hoje - tivemos de encontrar um novo termo que refletisse a arte mais próxima da noção de agora", explicou Tijana em uma entrevista à imprensa italiana.

Uma das plataformas do evento propõe abrigar exposições dinâmicas. Os artistas vão exibir obras de arte criadas no mesmo dia, proporcionando diariamente ao público uma nova exposição. A ideia é que a substituição diária dos trabalhos chame a atenção tanto dos visitantes quanto da imprensa.

A bienal também vai usar o espaço público e ativar áreas urbanas alternativas, bem como edifícios que não são normalmente utilizados para intervenções artísticas. Os organizadores esperam enfatizar o potencial da arte para agir fora do campo institucional, aproximando artistas e cidadãos em encontros surpreendentes e esclarecedores.

Para a curadora, no 'ultracontemporâneo' o artista desenvolve uma espécie de reflexo treinado, ou seja, tem a capacidade para pegar a bola e jogá-la de volta rapidamente. “A reação não tem a ver apenas com velocidade, mas com um sentido de timing. O fato de as obras serem feitas de forma rápida não significa que sejam superficiais. Pelo contrário, têm um alto grau de pertinência e precisão por causa de sua proximidade com o momento de agora.”

A plataforma de mídia, uma das três que alicerçam o evento, também representa um papel importante no esquema da bienal. Não será apenas um canal de comunicação, mas uma forma ativa de distribuição que inclui spots diários de crítica de arte antes da previsão do tempo na TV. Durante a Copenhagen Ultracontemporary Biennal será então possível experimentar a arte como parte inseparável da interface de transmissão de notícias.

No momento, os curadores estão estreitando o diálogo com artistas que já trabalham de maneira 'ultracontemporânea' e estabelecendo projetos paralelos para estimular o desejo de sair do caminho normal de trabalho e tentar fazer 'arte no tempo'. Uma das iniciativas de maior dimensão, com o foco em treinamento e educação de artistas, é a instituição da Academia de Arte de Emergência.

Para saber mais, visite o site da Copenhagen Ultracontemporary Biennale.